ÀGORA - OnLine


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...onde os filósofos Felipe, Rafael e Ygor refletem sobre o mundo...
 

domingo, agosto 29, 2004


[7:36 PM]

Você sabe realmente a diferença de voto em branco x nulo?

A importância do voto nulo.

O voto em BRANCO, ao contrário do que parece, não significa que o eleitor
não escolheu nenhum candidato, mas sim que ele abdica de seu voto. Não é um
ato de contestação e sim um ato de CONFORMISMO! Os votos em BRANCO
significam "TANTO FAZ" e são acrescentados ao candidato de maior votação no
último turno.

Ou seja, se existem dois candidatos - Tubarão e Galinha - e se Tubarão
termina com 52% dos votos;
Galinha recebe 35% dos votos; 10% são votos em branco e 3% são nulos, isso
significa que 3% dos
eleitores não querem nem Tubarão nem Galinha no poder; mas 10% dos eleitores
estão satisfeitos tanto com Tubarão como com Galinha. O que vencer está bom.

Neste exemplo, Tubarão tem uma aceitação de 62% do eleitorado. O problema é
que existe muita pressão para a escolha de um candidato e pouca explicação
sobre o que significa escolhê-lo.

Já o voto NULO é um protesto válido. Ele quer dizer que o eleitor não está
satisfeito com a proposta de nenhum candidato e se recusa a votar em outro.

Esse tipo de voto é importante e é o que efetivamente faz a democracia, pois
a existência dele permite que o eleitor manifeste a sua insatisfação. O voto
NULO, ao contrário do que parece, é um voto válido. Só que ninguém fala
dele, nem mesmo nas instruções para votação. Explicam como votar em um
candidato ou como votar em branco, mas ninguém explica como anular um voto.

Pois bem, para anular um voto é preciso digitar um número inexistente no
número do candidato.

Se um eleitor experimenta votar em branco, o terminal eletrônico avisa "Você
está votando em
branco", e então o eleitor pode confirmar ou corrigir. Mas se o eleitor
coloca um número inexistente num terminal, ele acusa "Número incorreto,
corrija seu voto". Assim, os votos NULOS,
embora produzam efeitos jurídicos, são desencorajados até mesmo pelo sistema
eletrônico que
deveria ser imparcial.

Por que os votos nulos são desencorajados?

Por que ninguém fala deles?

E por que eu falo deles?

Porque, se, no segundo turno da eleição entre Tubarão e Galinha, Tubarão
terminasse as eleições com 40% dos votos e Galinha com 30%, 10% de brancos
e 20% nulos as eleições teriam que ser repetidas e nem Tubarão nem Galinha
poderiam participar das novas eleições naquele ano.

Resumindo, o voto NULO, do qual ninguém fala e que o terminal acusa como
"incorreto", é o único voto que pode anular uma eleição inteira e remover do
cenário todos os candidatos daquela eleição de uma só vez. Se nenhum dos
candidatos conseguir maioria (mais de 50%) no último turno, as eleições têm
que ser canceladas!

Os candidatos são trocados e novas eleições têm que ocorrer. Então,
contribuindo para a campanha do voto consciente, se alguém estiver votando
em Tubarão ou em Galinha, mas preferia não votar em nenhum dos dois, pode
optar pelo voto "incorreto", o voto NULO.

Quem sabe um dia Tubarão e Galinha saiam do cenário para que os eleitores
possam votar em Golfinho.

Não seja obrigado a votar em quem você não quer no poder!

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Postado por Rafael

 

terça-feira, agosto 24, 2004


[2:49 AM]

Declarações de Amor

Eu queria poder escrever apenas declarações de amor.

Arranjar emprego numa dessas fábricas de cartões e viver disso.

E aí, enfim, todos os meus textos terminariam com eu te amo.


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Postado por Felipe Galvão

 

segunda-feira, agosto 16, 2004


[2:52 PM]

EU NÃO VOTEI NO LULA!

Hoje na minha faculdade rolou uma discussão política, e como toda discussão política termina em bate-boca, eu passei a prestar atenção nas pessoas e no que elas falavam. Notei certo receio de falarem explicitamente do atual governo, já que a maioria ali com certeza votou no Lula, mas quando começaram a falar do nosso queridíssimo presidente, veio um e gritou com muito orgulho a máxima: EU NÃO VOTEI NO LULA!

O engraçado é que no início da gestão do nosso amado habitante do mar, todos tinham um sorriso nos lábios e diziam que tudo ia melhorar. E, observem, diziam com todas as letras: EU VOTEI NO LULA! Como ele tinha vencido, todos queriam fazer parte, todos tinham orgulho. Mas como filho feio não tem pai, agora aparece o pessoal antes envergonhado que falava bem baixinho: eu votei no serra... (as letras minúsculas e as reticências são propositais), gritando aos quatro cantos: EU NÃO VOTEI NO LULA!

Eu votei no Lula sim e não tenho vergonha de falar, ao contrário daqueles que votaram no Collor e hoje tem vergonha (fora nosso colega Ylan Marcel que é fanático até hoje pelo ex-presidente). As pessoas que gritam que não votaram no nosso querido molusco não querem ressaltar que ou votaram no Serra ou anularam o voto. Na verdade não querem afirmar uma posição política. Querem se eximir de qualquer culpa. É o cara que não ganha por medo de perder. É a demagogia em pessoa. É a pessoa que diz que o Brasil está essa porcaria porque o povo brasileiro não sabe votar, é burro e ignorante. Esquece que também é brasileiro.

er... eu votei no lula...


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Postado por Ygor

 

terça-feira, agosto 10, 2004


[2:05 PM]

SENTIDO RUÍDO

Cuidado. Muito cuidado com essa tua língua por aqui. Tua língua, encontrando com a minha língua... Isso pode faturar uma conseqüência para nós. Cuidado que você pode gostar. Ou talvez, eu posso gostar. E aí, surge um envolvimento. E aí, você vai querer sempre encontrar a minha língua. Não que ela seja (ou seje) das melhores, mas uma coisa eu sei dela. Não é portuguesa. Por um motivo latinamente apalpável, sou brasileiro. Tenho meus problemas corruptáveis, xingo os meus ditadores, conto as mortes nas minhas guerras, afundo no meu litoral, vejo o sorriso branquim das minhas negras e sei muito bem o que é um Maracanã. Como querem que eu engula essa placenta d`aquém-mar, se eu estive foi num útero verde e amarelo. Essa gramática bacalhau não desce, e nunca desceu pela goela de um descendente do bravo Peri. Pois, alguém já viu um brasileiro indo à praia, ou, chegando ao samba? Somente os brasileiros donos desse latifúndio morfossintático que fazem isso. Que enchem o rabo de dinheiro orgulhoso, por dominarem o cachorro brabo do subjuntivo. O devorador de bigue gororobas. E o que tu não sabe, fazendeiro dos predicativos, é que não aluga-se mais índios encantados por espelhos faz tempo. Solta logo a lupa dos calcanhares de Pessoa, vem sentir o cheiro da cozinha de Dona Flor. E aproveite pra afogar essa língua imoral na água que vai encher a tua boca. Porque do tempero apimentado histórico-social-ecológico-cultural-geográfico nacional, você não entende nada. Igual a mim, quando ia na escola cantar o hino brasileiro e aprender português. Aprender que a independência é dia 7 de setembro, mas qual independência? Se o por quê do porque ninguém ainda entendeu. E se ainda assim fazemos carnaval, não é cantando fado com tambores de Madeira. É sendo lambidos loucamente, os quatro dias sem parar, por Macunaíma. Pois, sou um caipira e tenho uma pedra no meio do caminho. Por mais que me digam que não há. E podem me chamar de tarado ou delinqüente da língua. Por quê a língua é feita de palavra, que é feita de respiração, que é feita de vida. E, por isso quero estudar a minha língua. A minha gramática de território. Que se situa entre a cidade de Antares e o Sítio de Emília, onde recordo aulas mais valiosas que ouro negro. E que ensinam que erro de português é um absurdo diante da ciência, algo que não existe. Quando são somente fenômenos, que podem ser demonstrados de forma clara e que possivelmente, depois de um tempo, podem passar a ser aplaudidos pelos ceguinhos de sintaxe-branca na mão. Você que o diga. Já foi vossa mercê, vossemecê, vosmecê e caminha para o eficiente, cê. E alguém pode conter essa língua pulsante e reativa. Eu não vejo ninguém, por mais que olhe pro nosso céu americano. E se vossa mercê tentar, e vir... Para tudo. Esse vir não é de chegar, regressar, voltar; é o futuro do subjuntivo do verbo ver. Gramaticalizado, correto e confuso pra dedéu. Logo, quando vir não estou vindo, e sim, vendo um futuro. Porquê senão, seria visto ou vi, e nunca vir. Que não é surgir, pois, o que surge na verdade é a confusão administrada, a bagunça do preconceito e, quem duvida, a criação da ignorância. Que impede a visão, como um colírio apimentado. Receitado genericamente em qualquer farmácia da manipulação. E seguindo o ranking de sua bula, o primeiro a ter apresentado resultado positivo de cegueira foi o amor. O amor ficou cego. Ainda bem, e nem tente imaginar se não o fosse. O caos estabeleceria seu reinado perpétuo. Pois, os chatos ficariam mais chatos enquanto não encontrassem seu amor chatíssimo. As feias ficariam mais feias. Os babacas mais babacas. Os corruptos se sentiriam mais incentivados; assim como os religiosos, que teriam mais tempo para a dedicação do amor divino. Nem os cupidos teriam saco. E, continuando na bula do colírio ardente, cegamos a justiça. Mas isso já faz tempo, hoje ela tem vinte por cento na direita e trinta de comissão na esquerda. Quando se esforça no processo de mirar um ponto definido, vê vultos. E atrevo-me a revelar que um fundo de garrafa já resolveu seus problemas oculares. Muitas vezes. E agora, nesse instante, um ceguinho de implorar dinheiro em calçadas, vulgo consumo, está querendo voltar a ver de qualquer maneira. Ora, o Seu consumo sempre foi zarolha e azarado. Sempre atravessou para o lado errado, e poucas vezes acertou onde queria. Como agora quer ser ético? O consumo é deficiente da visão. Está sempre buscando algo que não consegue definir claramente. Tateando na escuridão. E agora quer ver, escolher a marca do refrigerante-correto a ser congelado naquela máquina branca de destruir atmosferas. Multu ethicu o Seu consumo. Mas, os piores mesmos são os cegos sem reflexão, da luz. Os viciados no colírio que anoitece a visão. Usuários 363 dias no ano. E não são poucos. E se for capaz, não é difícil de vê-los. São todos aqueles que lavam os olhos, um dia em outubro e outro em novembro, e acreditam ver verdades.

Flávio Assum

*Essa crônica é de uma parceiro meu lá da FACHA.

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Postado por Rafael

 

sexta-feira, agosto 06, 2004


[2:47 PM]

Sobre mulheres e homens...

Você entende as mulheres? Garanto que não. Mulheres são um mistério. Os homens, que se dizem donos de tudo, os maiorais (tem uns por aí que ainda acham que os homens são superiores), donos da cocada preta, não sabem como funciona a máquina fantástica chamada mulher. O que as faz se interessar por nós ou que as faz se interessar, muitas vezes, por uma delas mesmo? Não há santo ou filósofo, químico ou físico, tarólogo ou pai-de-santo, anjo ou demônio que nos diga no que consiste o cérebro feminino. Não existe ser humano vivo ou morto que possa nos dar a mínima pista do que elas fazem pra deixar os homens aos seus pés, e assim ter que construir castelos, pirâmides, pontes, viadutos etc. Tudo pra elas. Só pra elas.

Os homens?
Eles querem mulheres.


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Postado por Ygor

 

quinta-feira, agosto 05, 2004


[10:09 PM]

1, 2, 3, 4.

Um.

Colaboradores do Àgora, quando é que vocês voltam a escrever? O blog já está há mais de uma semana sem atualizações.

Onde estão as polêmicas helbourianas? Cadê todo o esquerdismo radical e socialismo utópico do Massadar? Ninguém aguenta mais esse pseudo-anarquista, magro e fã do Chico.

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Dois.

Essa descrição do blog me dá calafrios. Toda vez que a página carrega e ele aparece, suspiro. Fico pensando "será que alguém leva essa coisa de filósofos a sério?".

Eu imagino que não, mas ainda assim fico preocupado. Até visualizo o pobre visitante falando com seus botões: "Meu Deus! Que sujeitinhos arrogantes!"

Mesmo torcendo pra que todo mundo perceba que aquilo é só uma piada, eu tenho vontade de avisar: "Nós não nos achamos filósofos. Toda essa história de Àgora, paidéia e filósofos é só uma brincadeira que surgiu numa aula de (surpresa) filosofia."

É isso. Não somos filósofos.

Quer dizer, ao menos eu não sou. O Ygor e o Rafael que de vez em quando têm esses lapsos filosóficos.

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Três.

Às vezes, o melhor post é o que tem apenas uma frase.

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Quatro.

Outras vezes, não.



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Postado por Felipe Galvão

 

 


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